Tema: Mente acelerada

Minha mente não desliga: por que alguns pensamentos parecem nunca parar?

Você deita para descansar, mas a cabeça continua trabalhando. O corpo está na cama, mas a mente parece correr uma maratona.

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Lembra de uma conversa, antecipa um problema, revive uma situação antiga, cria cenários para amanhã, pensa no que deveria ter feito, no que precisa resolver, no que ainda pode dar errado.

Muitas pessoas acreditam que o problema está nos pensamentos e tentam controlá-los, afasta-los e ignora-los.

Mas, na maioria das vezes, a pergunta mais importante não é: "Por que penso tanto?” e sim: “Por que meu sistema permanece tão alerta?"

A mente acelerada raramente surge do nada.

Ela costuma ser a expressão de um organismo que aprendeu a permanecer em vigilância, como se precisasse monitorar tudo o tempo inteiro:

“O que pode acontecer, o que alguém vai pensar, o que ainda falta fazer, o que precisa ser evitado…”

É exaustivo, porque a pessoa não está apenas pensando, ela está tentando se proteger.

A neurociência afetiva compreende que emoções, corpo e comportamento funcionam de maneira integrada. Não existe uma separação absoluta entre aquilo que sentimos e aquilo que pensamos.

Por isso, quando o organismo interpreta que precisa permanecer em alerta, os pensamentos tendem a acompanhar esse estado.

A cabeça acelera, a atenção fica voltada para possíveis ameaças, o descanso se torna difícil, e até momentos simples podem gerar tensão.

Com o tempo, muitas pessoas passam a acreditar que são assim. “Eu sou ansiosa, minha personalidade é acelerada e minha mente sempre foi desse jeito."

Mas nem sempre estamos diante de uma característica pessoal, muitas vezes estamos diante de uma adaptação. Uma forma de funcionamento construída ao longo de experiências, relações e contextos que exigiram vigilância constante.

Algumas pessoas cresceram aprendendo que precisavam prever problemas, outras precisavam evitar conflitos, outras se acostumaram a assumir responsabilidades muito cedo.

O resultado é que o organismo aprende a permanecer atento mesmo quando o perigo já não está presente.

Na Terapia de Reintegração Implícita, não observamos apenas o pensamento que aparece.

Buscamos compreender o que sustenta aquele padrão de funcionamento.

Porque pensamentos acelerados normalmente são apenas a parte visível de uma organização afetiva mais profunda, e tentar silenciar a mente sem compreender o que mantém o estado de alerta costuma gerar ainda mais frustração.

Afinal, não é fácil descansar quando uma parte de você continua acreditando que precisa permanecer vigilante.

Talvez sua mente não esteja acelerada porque é fraca, talvez ela esteja cansada de carregar uma responsabilidade que assumiu há muito tempo.

E, às vezes, o primeiro passo para encontrar silêncio não é lutar contra os pensamentos, é compreender o que eles estão tentando proteger.

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