E então começa a dúvida: “Será que isso é ansiedade? “Será que tem algo errado comigo?” “Por que meu corpo reage assim o tempo todo?”
O que muita gente ainda não compreende é que ansiedade não acontece apenas nos pensamentos, ela acontece no corpo, e muitas vezes, o corpo percebe o excesso de pressão antes mesmo da pessoa conseguir nomear o que está vivendo.
A neurociência afetiva mostra que emoções não surgem isoladas “na mente”. Elas envolvem uma interação constante entre corpo, ambiente, relações, memória afetiva e estados fisiológicos.
Isso significa que o corpo não é apenas “afetado” pela ansiedade, ele participa dela.
Seu organismo está o tempo inteiro interpretando sinais: tons de voz, pressões, medos, rejeições, sobrecarga, excesso de cobrança, necessidade de aprovação, sensação de ameaça, instabilidade emocional, e quando esse sistema permanece ativado por tempo demais, o corpo começa a responder.
Às vezes em silêncio, as vezes em forma de sintomas físicos intensos.
Muita gente procura médicos acreditando estar com problemas cardíacos, hormonais ou neurológicos, pois investigar a saúde física é importante, mas em muitos casos, os exames vêm normais… enquanto o corpo continua em estado de sobrevivência.
Porque existem dores que não começam no órgão, começam no estado afetivo.
A pessoa tenta relaxar, mas o corpo não relaxa. Tenta dormir, mas desperta cansada. Tenta descansar, mas sente culpa ao parar. Tenta “pensar positivo”, mas o organismo continua preparado para perigo.
Isso acontece porque o corpo aprende padrões de proteção ao longo da vida.
Ambientes imprevisíveis, necessidade constante de agradar, sensação de não ser suficiente, excesso de responsabilidade emocional, vivências marcadas por tensão, rejeição ou insegurança afetiva.
Tudo isso pode manter o sistema nervoso em hiper ativação, e o mais difícil, muitas pessoas se acostumam tanto a viver em alerta que deixam de perceber o quanto estão exaustas.
Chamam ansiedade de “meu jeito”. Chamam tensão de “personalidade”. Chamam sobrevivência de “força”.
Mas viver em constante vigilância não é equilíbrio é adaptação, e toda adaptação prolongada cobra um preço no corpo.
Na Terapia de Reintegração Implícita, não olhamos o sintoma apenas como um problema isolado. O sintoma é compreendido dentro das inter-relações afetivas, dos padrões emocionais e das respostas que foram sendo organizadas ao longo da história daquela pessoa.
Isso significa que duas pessoas podem ter ansiedade física, mas por razões afetivas completamente diferentes.
Por isso, não trabalhamos com generalizações, cada corpo conta uma história, e muitas vezes, aquilo que hoje aparece como ansiedade física foi durante muito tempo, uma tentativa silenciosa do organismo de suportar excessos emocionais que nunca puderam ser devidamente elaborados.
Seu corpo não está “louco”, talvez ele esteja cansado de sustentar estados de alerta que se tornaram crônicos, e ignorar isso por tempo demais faz o organismo continuar falando… cada vez mais alto.
A ansiedade física não é fraqueza, é um sinal de que existe um sistema sobrecarregado tentando sobreviver.
E quanto antes isso é compreendido, maiores são as possibilidades de reorganização emocional, fisiológica e relacional.
Você não precisa continuar vivendo em guerra dentro do próprio corpo.